🏥🩺 Com mais de 54 mil cadastros e quase 470 mil procedimentos em três meses, relatório mostra a dimensão da rede pública em uma cidade que atende muito além da população oficial.
Por @isaiascoutinho
Os dados apresentados pela Secretaria Municipal de Saúde durante a audiência pública do primeiro quadrimestre de 2026 trazem um retrato interessante da realidade de Búzios. Mais do que estatísticas, os números ajudam a entender o tamanho da estrutura necessária para atender uma cidade que, embora tenha pouco mais de 42 mil habitantes oficialmente, convive diariamente com uma população muito maior.
O dado mais emblemático é o total de 54.862 cadastros na Atenção Primária, número que supera em mais de 12 mil registros a população estimada pelo IBGE. Na prática, o indicador reflete uma característica conhecida do município: além dos moradores permanentes, a rede pública atende trabalhadores, moradores temporários, pessoas que possuem residência na cidade e uma população flutuante que cresce conforme a movimentação turística e econômica.
A dimensão dessa demanda também aparece na produção dos serviços. Entre janeiro e abril, foram mais de 22 mil atendimentos individuais, quase 7 mil atendimentos odontológicos, mais de 33 mil procedimentos e mais de 40 mil visitas domiciliares realizadas pelas equipes da Atenção Primária.
Outro número que chama atenção é o volume de procedimentos ambulatoriais realizados pelo SUS. Em apenas três meses, foram contabilizados 469.762 procedimentos, demonstrando a intensidade da utilização da rede municipal de saúde. São indicadores que ajudam a explicar por que a Saúde permanece entre as áreas de maior investimento e atenção das administrações públicas.
No Hospital Municipal Rodolpho Perissé, as 707 internações registradas entre janeiro e março reforçam o papel estratégico da unidade para o atendimento da população. Já a atuação da Vigilância Sanitária, com 573 ações de fiscalização e monitoramento, evidencia uma estrutura que vai muito além dos consultórios e hospitais.
Politicamente, os números apresentados servem para dimensionar um dos maiores desafios da gestão pública buziana: planejar serviços para uma cidade cujo movimento populacional ultrapassa os limites dos dados oficiais. Em um município turístico, que recebe visitantes durante todo o ano e mantém forte circulação de trabalhadores de cidades vizinhas, a pressão sobre a rede de saúde tende a ser significativamente maior do que aquela apontada pelos censos populacionais.
Mais do que um balanço administrativo, os dados apresentados na Câmara ajudam a compreender a complexidade da gestão da saúde pública em Búzios e o tamanho da estrutura necessária para sustentar uma rede que atende diariamente uma demanda muito superior àquela que aparece apenas nos números oficiais da população.

